Do ponto de vista financeiro, o parque de diversões Hopi Hari, inaugurado em 1999 no município de Vinhedo, no interior de São Paulo, sempre foi uma dor de cabeça para seus donos. Consumiu US$ 200 milhões para ser construído pela GP Investments  e por um grupo de fundos de pensão, capitaneados pela Previ. Dez anos depois, em junho de 2011, atolado em R$ 500 milhões de dívidas, o parque foi repassado aos empresários Marco Aurélio Barreto, Nelson Bastos, Oscar Bernardes, Raul Rosenthal e Renato Carvalho Franco, que, à época, dirigiam a consultoria Íntegra, especializada em reestruturação de empresas, por apenas um centavo. Sob a nova gestão, encerrou o ano passado com prejuízo de R$ 5 milhões. Contudo, a montanha-russa de problemas parece ter assumido uma escala vertiginosa. 

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Emoção nas alturas: brinquedos radicais, como a montanha-russa e o La Tour Eiffel,

sempre foram os preferidos dos frequentadores do Hopi Hari.

 

Na semana passada, o Hopi Hari foi fechado pela Justiça por dez dias. A medida faz parte de um acordo assinado com a promotoria de defesa do consumidor de Vinhedo. Nesse período, o parque será periciado para que sejam avaliadas as condições de segurança de seus brinquedos. Foi em um dos mais radicais deles, o La Tour Eiffel, que a adolescente Gabriela Nishimura, 14 anos, morreu na sexta-feira 24 ao despencar de uma altura de cerca de 30 metros. A reviravolta se deve à acusação, confirmada pela assessoria do parque, de que a jovem fora colocada em um assento que, sabidamente, estava sem condições de operar há dez anos. Com isso, o caso passou a ser tratado como dolo eventual, quando o autor, ainda que não intencionalmente, assume o risco de causar danos a terceiros. 

 

“Se ficar caracterizado que o parque agiu de má-fé, seus donos poderão ser obrigados a pagar indenização moral à família da vítima”, diz Gustavo Cunha Mello, especialista em gerenciamento de risco da Correcta Seguros. Procurados pela DINHEIRO, os sócios da Íntegra não quiseram se pronunciar (leia nota na coluna Moeda Forte). Acidentes em parques de diversão têm sido constantes pelo Brasil afora. Contudo, tratando-se de uma estrutura como a do Hopi Hari não deixa de ser surpreendente. Recentemente, a empresa assinou acordo com a americana Warner para licenciar os personagens da série Looney Tunes e da Liga da Justiça. O que  resultaria em investimentos de R$ 100 milhões. Agora, esse plano corre o risco de se desintegrar.

 

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Imperícia ou negligência: cadeira utilizada por Gabriela (ao fundo) estava com defeito há dez anos.