19/08/2022 - 0:50
Houve o momento em que o mantra era: toda empresa é uma empresa de tecnologia. O novo dogma é: toda empresa será também uma instituição financeira. Vale inclusive para a gigante brasileira do ERP, a Totvs. “O objetivo a partir de agora é aumentar a proposta de valor da companhia”, afirmou à DINHEIRO o CEO Dennis Herszkowicz. “Queremos ser o trusted advisor das pequenas e médias empresas.”
Para atuar como esse ‘consultor de confiança’ e aumentar a receita de seus clientes, a Totvs passou a olhar muito além de seu core. E fez isso por meio especialmente de aquisições. As mais recentes, no segmento das fintechs. Operação alavancada de um ano para cá, quando criou a Dimensa, empresa focada em tecnologias B2B para o mercado financeiro, em parceria com a B3 (dona de 37,5% da nova empresa).
Apenas este ano já foram três aquisições sob a Dimensa — InovaMind (especializada em onboarding digital e gestão de riscos), comprada em janeiro por R$ 23,5 milhões; Mobile2you (especializada em desenvolvimento de apps para fintechs), por R$ 26,9 milhões no fim de janeiro; e a Vadu (fintech focada em análise de crédito), R$ 40 milhões em março.
Pelo lado do Grupo Totvs, os processos de fusão e aquisição seguem igualmente fortes no ano. Em abril, por meio da subsidiária Totvs Tecnologia, foi comprada a Gesplan (de gestão financeira), numa negociação de R$ 40 milhões. Mas o fato mais relevante da atual jornada foi a joint venture com o Itaú Unibanco, que gerou a Totvs Techfin. Digamos que é o selo definitivo para a marca colcar ao ERP seu status de instituição financeira. “Foi um negócio totalmente novo para nós”, afirmou Herszkowicz.
Cada sócio é dono de 50% da operação. No manifesto de fundação da companhia, a missão é clara: “Criar a maior plataforma digital de serviços financeiros para as empresas brasileiras”. Um ambiente baseado em uso intensivo de dados voltados a clientes empresariais e toda a sua cadeia de stakeholders. “Hoje é o maior case de sucesso que temos estrategicamente”, disse o CEO.
R$ 3,2 bilhões receita líquida 2021
+25,5% sobre receita líquida de 2020
R$ 966 milhões receita líquida 2Tri 2022
+30% sobre receita líquida do 2Tri 2021
RESULTADOS A empresa teve sua origem junto da internet, em 1969, com serviços de informática e 14 anos depois se tornaria a Microsiga Software S.A, mudando o nome para Totvs apenas em 2005. Hoje, é a maior empresa brasileira de tecnologia e ainda foca seu portfólio nas soluções de software de gestão, como ERP. Um competitivo mercado global de US$ 474,6 bilhões que deve chegar a US$ 1,1 trilhão em 2030, segundo dados da Grand View Research.
A companhia atua em 41 países. Herszkowicz diz que são raras nesse segmento as empresas brasileiras que podem se chamar de multinacionais. “O business de ERP é muito local”, afirmou. “Mas ser muito forte localmente em algo dá uma grande vantagem competitiva: cria uma reputação.” Hoje, a empresa tem 14 centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), sendo 11 no Brasil.
Essa consistência se reflete nos resultados. Nos últimos quatro anos, entre 2018 e 2021, a margem Ebitda (ganhos antes de impostos e depreciação) sempre cresceu dois dígitos em relação à temporada anterior. Foi de R$ 347 milhões em 2018 (alta de 16,4% sobre 2017), de R$ 470 milhões em 2019 (+20,6%), de R$ 590 milhões em 2020 (+23,0%) e de R$ 782 milhões em 2021 (+24,7%). No ano passado, a receita líquida foi de R$ 3,258 bilhões, crescimento de 25,5% sobre 2020 (R$ 2,596 bilhões). Somente a divisão Techfin, novo braço estratégico da companhia, dobrou de tamanho em dois anos, de R$ 129,4 milhões para R$ 281,5 milhões (+117,5%).
Nos dois primeiros trimestres deste ano, a curva segue forte. As receitas líquidas de janeiro a março somaram R$ 946 milhões (+34% sobre o mesmo período de 2021) e entre abril e junho outros R$ 966 milhões (+30% sobre o 2T 2021). Performance que o CEO resume a um lema: “Fazer o igual sendo sempre diferente”.