Falar que as mulheres estão incluídas na sociedade é uma verdade. Ao menos por lei, podem contribuir ativamente para a economia, possuem liberdades civis e participação política asseguradas. Mas na prática a teoria é diferente. Essa inclusão ainda é recheada de falta de segurança física e psicológica em casa e no trabalho. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que no primeiro semestre de 2021 foram registrados 666 assassinatos de mulheres cometidos por companheiros ou ex-parceiros. Já levantamento da Mindsight, empresa de recursos humanos, revelou que mulheres sofrem três vezes mais assédio sexual do que homens em ambiente de trabalho — 97% delas não denunciam o crime.

Para Ana Addobbati, cofundadora da startup de impacto Women Friendly, que capacita empresas, bares e restaurantes a combater o assédio contra mulheres e as certifica, o grande desafio para a inclusão segura da mulher está no topo da hierarquia. “Muitas lideranças não enxergam e não aceitam que o problema existe”, afirmou. Sem se sentir acolhida, afirma a advogada Nathália Waldow, sócia na startup, a mulher não denuncia. “A ausência de preparo das empresas em lidar com o tema faz com que o assédio seja subnotificado mesmo onde canais de denúncias sejam ativos”, disse Nathália. O receio da vítima é sofrer com ataques contra sua reputação, suspensão da carreira, demissão e até com a continuidade da violência em casa, onde o marido a acusa de ter facilitado o assédio.

Divulgação

(Nota publicada na edição 1260 da Revista Dinheiro)