Duas semanas: esse é o tempo que um telespectador médio perde, durante toda a sua vida, procurando pelo controle remoto deixado em algum lugar na sala de estar, segundo pesquisa da rede britânica de lojas Net Voucher. Além disso, o vilão do tempo pode ser vilão da saúde. Outro estudo, promovido pela Universidade de Houston, nos EUA, diz que o item mais contaminado por germes em hotéis é justamente esse aparelho. A boa notícia é que esses fatores negativos do controle, que a partir do final dos anos 1980 foi um instrumento de democratização e de mudança na forma de se assistir à televisão, estão com os dias contados, devendo desaparecer do hábito diário dos telespectadores. 

 

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A Samsung, de Silvio Stagni, é uma das empresas que investem em novas tecnologias

para a tevê, como comandos por gestos e voz

 

“Vamos aposentar o controle remoto”, diz Silvio Stagni, vice-presidente de produto e vendas para as áreas de tevê da Samsung. “A tendência são os controles sensoriais.” A empresa apresentou neste mês sua nova linha de televisores premium, com preços a partir de R$ 5 mil. A grande novidade dos novos aparelhos é justamente o sistema de navegação. Os aparelhos podem ser controlados por voz – são 254 comandos que entendem os diversos sotaques brasileiros – e pelo movimento de ambas as mãos ao mesmo tempo. 

 

“Será uma mudança de paradigma”, afirma Luiz Andre Sakuma, gerente de marketing de produtos da Samsung. A maneira interativa não deve chegar de supetão. “Estamos analisando formas de ir adaptando o consumidor às novas tecnologias”, diz Sakuma. A estratégia da Samsung é similar à da Microsoft. A empresa de Bill Gates incluiu sinal de televisão em seu próximo console, o Xbox One, que chega ao mercado no fim do ano. A navegação pelo aparelho é feita por meio de gestos e voz. A pré-venda no Brasil começou em junho, por R$ 2.199. Essa abordagem sensorial usada pela Samsung e pela Microsoft se inspira nos tablets e smartphones. 

 

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Para Luis Bianchi, da Philips, dispositivos como o tablet serão cada vez

mais usados na interação com a tevê

 

Segundo o Google, 85% dos telespectadores usam um dispositivo móvel enquanto assistem à tevê nos EUA. A holandesa Philips apostou nessa tendência da segunda tela para seus produtos smart. “Com um tablet, o consumidor pode mudar de canal ou consultar a programação em nossos televisores”, diz Luis Bianchi, gerente de marketing digital da Philips. “Hoje, o controle remoto tradicional já é dispensável.” A perda da importância do controle remoto não acontece por acaso. Essa tecnologia, que já foi um diferencial em outros tempos, não é capaz de atender às necessidades dos televisores atuais. 

 

Com a chegada de aplicativos, vídeos sob demanda e navegação na internet nesses aparelhos, os botões perdem espaço para opções mais interativas e sensoriais. O momento atrai a atenção de empresas desenvolvedoras, como americana The Mad Video, que criou um programa de inclusão de informações extras para computadores em vídeos – como, por exemplo, onde comprar a roupa que a atriz do filme está usando. Atualmente, a empresa desenvolve uma forma de aplicação dessa tecnologia interativa em smartTVs. “Temos parcerias com grandes cadeias de varejo”, disse Koldo Garcia, CEO da The Mad Video. O número de smartTVs vendidas no mercado brasileiro está crescendo. 

 

Em 2012, elas representaram 28,5% do mercado e a previsão para 2013 é de que 60% dos aparelhos vendidos permitam o acesso à internet e a aplicativos, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). O segmento de televisores não deve crescer em número de unidades vendidas, mas o faturamento deve subir 10%, pelo aumento de valor agregado. Na verdade, os fabricantes esperam que o grande momento da entrada das smartTVs, que já podem ser encontradas a partir de R$ 1,3 mil, na casa dos brasileiros seja o primeiro semestre de 2014, por conta da Copa do Mundo de futebol, seguido pelos Jogos Olímpicos, em 2016. Ou seja, em menos de um ano, muita gente vai deixar de apertar botões ou de procurar pilhas que sumiram embaixo do sofá.

 

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