22/07/2022 - 0:20
O problema histórico do assentamento de famílias nas áreas rurais brasileiras segue sem uma política estruturada. E fica ainda pior. De acordo com o estudo A Reforma Agrária nos Ciclos Políticos do Brasil, realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal Tecnológica Federal do Paraná (UFPR), até 2020 o ano com mais famílias assentadas foi 2006, último período do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o recorde de 136,4 mil famílias.
Na média anual por mandato, o primeiro governo Lula ficou à frente, seguido pelas duas presidências de FHC. O último é Bolsonaro. A queda foi consistente — de mais de 95 mil famílias por ano com Lula para 4,6 mil com Bolsonaro.
Independentemente das estatísticas há um problema estrutural mais grave. Segundo Zander Navarro, pesquisador da Embrapa, a reforma agrária como instrumento de redução da pobreza perdeu sentido. “Não adianta dar um pedaço de terra e ir embora, sem capacitar ou dar assistência técnica”, afirmou. “Determinante para a transformação é capital e instrução.”

(Nota publicada na edição 1283 da Revista Dinheiro)