11/03/2022 - 1:30
O mercado de imóveis corporativos deve mudar com o fim da pandemia?
A maneira de as pessoas trabalharem no escritório vai mudar. O home office tem muitas vantagens, então mesmo com a volta das atividades à normalidade, as pessoas terão mais flexibilidade. O sistema mais comum será o flexível, mesclando atividades no escritório com home office.
Isso não deverá reduzir a demanda por espaço corporativo?
Não necessariamente. Muitas empresas, especialmente multinacionais, adotaram padrões mais rígidos com relação ao espaço. A ideia de amontoar muitas pessoas em um mesão já não é aceita. Deveremos notar uma volta de mesas e baias individuais e mais distanciamento físico entre as pessoas. Assim, mesmo que haja menos gente no escritório, a demanda por espaço não vai encolher tanto assim.
É possível notar isso no mercado financeiro?
Sim. Em muitos setores se fala em fazer rodízio e isso ocorre também no mercado financeiro. Observamos que a vacância na região da Faria Lima (centro financeiro do País, em São Paulo) não caiu. Algumas empresas até devolveram andares na região no início da pandemia, mas esses espaços ficaram vazios por pouco tempo. E quem tentou voltar não encontrou um mercado com excesso de oferta.
Como isso vem afetando os fundos imobiliários?
É preciso separar esses universos. Há fundos imobiliários dedicados a ativos físicos, os fundos de tijolo e seus diversos segmentos. Há fundos dedicados apenas a títulos com base imobiliária, os chamados fundos de papel. E há os fundos de fundos. Cada um deles tem momentos e perspectivas diferentes.
Desenvolva esse raciocínio.
Alguns fundos dedicados a ativos físicos estão depreciados. Por exemplo, os fundos relacionados a shopping centers. Eles reabriram e a atividade está quase normalizada, mas as cotações ainda estavam refletindo uma situação de quando estavam fechados ou com restrições à visitação.
Há outros exemplos?
Sim, o setor de ativos imobiliários dedicados à logística. Muitos desses fundos estão depreciados, e há uma oportunidade de entrada. A demanda por esses ativos vai continuar aquecida, em especial ativos de primeira linha, que deverão continuar com uma boa demanda por parte dos locatários.
NOTAS
Itaú Asset contrata novo gestor
A Itaú Asset contratou Scott Grimberg, executivo que geria, desde 2013, a área de renda fixa para mercados emergentes no California Public Employees Retirement System (CalPERS), maior fundo de pensão dos EUA. Grimberg ficará em Nova York, liderando a equipe de um novo fundo de renda fixa focado em mercados emergentes. Criada em 1957, a Itaú Asset é a maior gestora privada da América Latina, com R$ 830 bilhões em ativos sob gestão.
Fundos imobiliários de shoppings se recuperam
A retomada do setor de shopping center deve impulsionar também a recuperação dos fundos imobiliários ligados aos centros de compra. Um dos mais afetados pelas restrições da pandemia, o segmento registrou em janeiro alta de 10% nas vendas ante igual período de 2021. A expectativa é de que as vendas subam 13,8% em 2022, conforme dados da Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce). Na quarta (9), o Ifix, índice dos fundos imobiliários, operava com alta de 0,10%.
Dividendos globais batem recordes
O pagamento de dividendos globais bateu recorde em 2021, chegando a US$ 1,47 trilhão. O aumento foi de 16,8% em relação ao ano anterior, conforme levantamento feito pela gestora Janus Henderson, com base em 1,2 mil maiores empresas em valor de mercado. Destas, 367 estão nos EUA e distribuíram US$ 522,7 bilhões. A alta foi impulsionada pelos setores de bancos e mineração. Para 2022, no entanto, o cenário é incerto, diante das instabilidades globais, diz a gestora.
EM ALTA
0,50 pp
É o aumento estimado pelo Santander para a taxa Selic. Em sua carta mensal, o banco informa que revisou os números e prevê alta dos 11,75% anteriores para 12,25% até o final do ano. O primeiro aumento de 1% seria agora em março, seguido por outro de 0,5% em maio. O banco também mantém um viés de alta para a inflação medida pelo IPCA, de 5,4% para 5,9% em 2022. Para 2023, a projeção é de 3,7%. Após o atual ciclo de aperto monetário, o Santander espera que o Banco Central mantenha os juros em 12,25% até as primeiras reuniões de 2023.
EM BAIXA
49,6 pontos
Foi o patamar atingido pelo Índice Geral de Compras (PMI) do setor industrial feito pela IHS Markit para o Brasil em fevereiro. Apesar da ligeira melhora em relação a janeiro, quando chegou a 47,8, o indicador ainda ficou abaixo dos 50 pontos, sinalizando a deterioração do setor. Segundo a consultoria, apesar de o setor industrial ainda trabalhar em condições ruins, há perspectivas de melhora no horizonte. As empresas já relatam sinais de melhora na demanda e a confiança do empresariado também já começa a se recuperar.