23/09/2022 - 1:30
Um dos passeios mais tradicionais para quem visita a Capadócia, na Turquia, é a visita a uma das fábricas de tapetes de seda feitos de maneira artesanal, com técnica local milenar. São diversos tamanhos, formatos, cores e desenhos para escolher. Alguns deles premiados em salões internacionais especializados. Se for fechar negócio na loja física ou pela internet, o funcionário da loja lhe dá uma informação como um de seus diferenciais de venda: modelos de US$ 15 mil são entregues em São Paulo pela DHL, empresa líder global do setor de logística, do Grupo Deutsche Post DHL que faturou 81 bilhões de euros ano passado. Para isso, o produto tem de ser levado da Capadócia para Istambul, em trajeto de 600 quilômetros, e depois de Istambul para o GRU Airport, em Guarulhos (SP), por exemplo, em trecho de 10,5 mil quilômetros, atravessando a Europa e o Oceano Atlântico. Mas o mais difícil na entrega não é esse percurso, que a DHL já domina com sua frota de mais de 300 aviões. O desafio para levar o tapete de Guarulhos para o endereço da Zona Sul da capital paulista é a chamada última milha. Segundo a eMarketer, empresa americana de pesquisa de mercado, essa perna final da entrega chega a ser 53% do valor do frete.
O movimento da DHL para avançar na última milha de entrega tem três razões principais. A primeira, para não ficar para trás em um cenário de fortes concorrentes, como FedEx, UPS, TotalExpress, Mercado Livre e Amazon Logistics. Esta última, por exemplo, já emprega 10 mil pessoas direta e indiretamente no Brasil e a ambição é seguir em forte crescimento nos próximos anos, segundo Rafael Caldas, executivo que lidera a companhia no País. Na próxima semana, um novo centro de distribuição será inaugurado em Indaiatuba, no interior paulista, para atender à demanda da região de Campinas.

A segunda é a expansão do e-commerce brasileiro. Em 2021, o setor cresceu 26,9%, ao movimentar R$ 161 bilhões, segundo dados da segundo dados da Neotrust. Analistas avaliam que neste ano o aumento de vendas on-line estará entre 5% e 10%. E a terceira — consequência da segunda — é a projeção de mercado para esse tipo de entrega. De acordo com o relatório The Future of the Last-Mile Ecosystem (O Futuro do Ecossistema de Última Milha), do Fórum Econômico Mundial, até 2030 haverá 78% de crescimento para a última milha urbana de entregas.
Para atender a essa demanda crescente, a DHL tem potencializado sua estrutura física e de tecnologia. No Brasil, a companhia possui cinco fulfillment centers (que processa desde a consulta do ponto de venda até a entrega de um produto ao cliente), área de armazenagem de 300 mil m², 6,5 mil colaboradores dedicados, 55 hubs de transporte e 800 veículos. A companhia traz ao País o DHL Fulfillment Network, uma rede fulfillment multiclientes que auxilia na execução de toda a logística de e-commerce. Indicada para indústrias e varejistas de médio e grande portes, a solução resolve as dores do transporte na última milha operada pela DHL nas principais áreas metropolitanas e em parceria com players estratégicos.
Nos últimos dois anos, a área de transportes da DHL Supply Chain dobrou de tamanho. No modal terrestre, os principais investimentos foram na expansão da equipe e frota, em tecnologia, no fortalecimento da rede de filiais, no hub aéreo no aeroporto de Guarulhos e, principalmente, na criação da Matriz de Transportes em Jandira (cidade da Grande São Paulo), unindo em um mesmo local o Control Tower e o Hub de Consolidação Nacional de carga fracionada. Com 190 mil m² de área, 40 mil m² de armazéns e 130 docas, a estrutura consolida cargas fracionadas, com origens e destino em todo o Brasil. Destaque para o desenvolvimento de soluções personalizadas, em que são realizadas entregas em hospitais nas mãos dos médicos ou entregas dentro de ambientes empresariais. Outra novidade é a expansão do transporte rodoviário e aéreo para o e-commerce que continua a crescer no Brasil. Em julho a DHL Express Brasil anunciou a chegada do primeiro avião totalmente dedicado a atender os clientes da empresa, um Boeing 767 com capacidade de 52 toneladas. “Vamos aumentar a capacidade, melhora o tempo de trânsito e oferer a garantia de embarque em todas as épocas do ano, principalmente nos períodos de pico”, disse Mirele Mautschke, CEO da DHL Express.
Esses avanços fazem parte de um montante de US$ 360 milhões nas Américas (EUA, Canadá, México, América do Sul, Central e Caribe). Segundo Mike Parra, CEO da DHL Express Americas, os projetos devem melhorar a eficiência operacional e aumentar a capacidade de volume da rede quase 30% até o final de 2022 na região. “O crescimento do comércio eletrônico continuará pressionando a capacidade de carga aérea do setor, o que tem levado a investimentos contínuos em novas aeronaves e rotas dedicadas”, disse Parra.