11/03/2022 - 4:00
Um prêmio inédito no mercado de vinhos brasileiro foi entregue à VCT Brasil durante o evento Adega Ideal, realizado no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no início de março. Braço local da gigante chilena Concha Y Toro, a empresa recebeu da Ideal Consulting o prêmio de maior importadora do País e uma distinção por permanecer na liderança há uma década. Em 2021, as vendas somaram US$ 41,7 milhões — 8,9% a mais que no ano anterior. Segundo dados da consultoria Nielsen, que audita as vendas do varejo, a empresa atingiu um recorde histórico de market share, com 16,6% de participação, nada menos que 10,4 pontos percentuais acima do segundo colocado.
Para o CEO da VCT Brasil, Mauricio Cordero, o resultado se deve ao fato de a companhia não se posicionar como uma importadora. “Somos uma extensão brasileira da Concha y Toro, portanto, uma vinícola. Nossa visão do negócio é a do produtor. Para nós, as marcas são relevantes”, afirmou o CEO à DINHEIRO.Entre as marcas que estão no portfólio da companhia estão desde o Reservado, uma das portas de entrada para o consumidor de vinho importado, com vendas acima de 18 milhões de garrafas ao ano no Brasil, até o ícone Don Melchor, rótulo consagrado com 100 pontos na avaliação de James Suckling e que chega ao Brasil na faixa de R$ 1,3 mil. Entre um e outro, há produtos para os mais variados bolsos e gostos.
SAMSUNG Agora, mais que manter essa diversidade para atender a todo o mercado, a Concha y Toro está interessada em avançar no mundo digital. Para isso, além de buscar inspiração em empresas de outros segmentos — a Samsung é uma delas, por sua forte presença tanto no varejo físico como on-line — a VCT Brasil pretende lançar um e-commerce próprio, com clube de assinaturas e oferta de experiências ligadas ao enoturismo. “Não queremos concorrer com nossos clientes e sim estreitar o relacionamento com o consumidor das nossas marcas”, disse Cordero.

Para ele, uma das vantagens da empresa na disputa com os demais importadores é justamente a sua capacidade de fidelização, proporcionada por experiências que não podem ser reproduzidas por quem não produz. ”Temos uma base de dados gigante de brasileiros que nos visitam no Chile todos os anos”, afirmou. “Cerca de 200 mil brasileiros já foram à nossa casa. Agora nós iremos procurá-los.” A previsão é que, com o fim das restrições da pandemia, a Concha Y Toro receba entre 60 mil e 80 mil brasileiros por ano. “Precisamos ter uma comunicação efetiva com esse cliente que já escolheu estar conosco. Não podemos abandoná-lo.”
Hoje, o canal digital tem relevância modesta dentro do faturamento da VCT Brasil. Para Cordero, mais que aumentar as vendas, o e-commerce permitirá estreitar a ligação com as marcas. “Queremos aproveitar esse canal para apresentar ao brasileiro produtos exclusivos, dos quais temos poucas unidades e que por isso não podem estar à venda em supermercados ou outros e-commerces”, disse Cordero. Para ele, “a Concha Y Toro é mestre em falar a linguagem de suas marcas e traduzi-las para seus públicos de maneira estratégica”. O CEO da Ideal Consulting, Felipe Galtaroça, concorda. Segundo ele, um dos fatores que garantem a supremacia da vinícola chilena no mercado de importação no Brasil é justamente a capacidade de “traduzir e perceber as várias aspirações dos consumidores em suas respectivas categorias e momentos de consumo para oferecer os vinhos de seu portfólio”. Os números comprovam que estratégia tem funcionado. Algumas marcas mais que dobraram em vendas no último ano (confira o infográfico). Maior vinícola da América do Sul, a Concha Y Toro tem faturamento anual na casa de US$ 1 bilhão, segundo Cordero.
APORTE DE R$ 650 MILHÕES PODE LEVAR EVINO AO TOPO?

O ranking da Ideal Consulting que manteve a VCT Brasil na liderança entre as importadoras em 2021 não levou em conta as fusões e aquisições que movimentaram o mercado. Foi o caso da compra da Cantu pela Wine e da Grand Cru pela Evino. Como as importações continuaram a ocorrer de forma separada em cada empresa, o volume total e a participação de mercado não foram somados. Por isso, é possível que os números de 2022 sejam bem diferentes.
Na segunda-feira (7), a Vinci Partners divulgou ter liderado uma rodada de investimento de até R$ 650 milhões na Evino. O investimento, segundo a Vinci, tem como objetivo sustentar o plano de crescimento acelerado da empresa. “Com a compra da Grand Cru, a Evino combinou dois dos mais relevantes e complementares players do mercado de vinho”, afirmou Gabriel Felzenszwalb, sócio da Vinci. “Nós enxergamos a oportunidade de ajudar a criar uma empresa líder, dentro de um mercado grande e com muito potencial para crescimento.”
CEO da holding formada por Evino e Grand Cru, Alexandre Bratt entende que a Evino tem a melhor perspectiva de crescimento e diferenciação do segmento. “A nova rodada de investimentos, liderada pela Vinci, nos deixa em posição ímpar para continuar com a consolidação e expansão do mercado de vinhos.”