O mercado premium de automóveis recuou 18% nas vendas no primeiro semestre de 2022 na comparação anual. Reflexo do aumento dos preços, dos juros e, principalmente, da crise de semicondutores. A BMW, no entanto, andou na contramão. Com crescimento de 2% no período, consolidou a liderança e aposta no início da produção das novas versões dos modelos Série 3 e X1 no Brasil, a partir de setembro, para consolidar a posição. “Temos um ano bastante desafiador, mas estamos muito felizes”, afirmou Aksel Krieger, presidente e CEO do grupo BMW no Brasil. “Antes eu brincava que um em cada três carros do segmento premium era vendido pela BMW e hoje posso falar que é um a cada dois.”

A montadora alemã, no entanto, ainda é detentora de 37% do mercado premium no País, levando-se em conta as 18 mil unidades comercializadas pelas oito principais marcas entre janeiro e junho. Emplacou 6,7 mil veículos, mais que o dobro (3,1 mil) da Mercedes, segunda colocada, de acordo com os números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Exceção à BMW e às superpremium Jaguar e Lexus, as principais concorrentes — além da Mercedes, Audi, Land Rover, Porsche e Volvo — apresentaram queda no período. A evolução da BMW, segundo o executivo, está baseada em quatro pilares: produção local, digitalização, foco no cliente e eletrificação. “É muito importante ter um supply chain estável neste momento que você vê as outras marcas andando para trás”, disse o executivo. “E a gente crescendo com uma gama de produtos fabricados no Brasil [Série 3, X1, X3 e X4] e ritmo impressionante de lançamentos [iX, i4 e iX3].” O investimento em tecnologia, com novos softwares para os carros e a digitalização, também é apontado como fundamental para o salto nas vendas.

Isso sem contar a aposta em inovação, como o lançamento de um carro (M3) no TikTok, e de outro (iX3) com o auxílio da Alexa, assistente virtual da Amazon. Para Krieger, a inovação está muito no DNA da marca, nos produtos, e na forma como interagem com os clientes e o mercado. A rede de concessionárias tem 53 lojas pelo País, e a diretoria avalia plano de expansão.

NOVIDADES A produção das novas gerações do Série 3 e do X1, ambos com motor a combustão, integra ciclo de investimento de R$ 500 milhões anunciado em novembro de 2021 pela operação brasileira. Os recursos foram aplicados também nos centros de engenharia, situados na planta catarinense e em São Paulo. O Brasil é um dos cinco centros de desenvolvimento de engenharia da marca no mundo. Os demais fora da Europa estão localizados nos Estados Unidos, na China, Coreia do Sul e no Japão. As versões atuais dos dois modelos, em produção na planta catarinense em Araquari (a exemplo dos SUVs X3 e X4), responderam por 63% (4,2 mil unidades) do total vendido pela BMW no semestre. A fábrica tem capacidade para produzir anualmente 30 mil unidades, mas apenas um terço sai da linha atualmente. Desde o início do funcionamento das operações, em 2014, cerca de 80 mil exemplares foram fabricados. Otávio Rodacoswiski, diretor geral da planta, afirma que a empresa tem “a maior fábrica da América do Sul de veículos premium”.

Apesar de a montadora ter vendido no Brasil 42% mais carros eletrificados (elétricos e híbridos plug-in) no primeiro semestre de 2022 na comparação anual (1,31 mil contra 925) e de a planta catarinense já estar preparada para fabricar modelos do segmento, o Brasil continua na rabeira quando o tema é produção de elétricos localmente. A BMW não coloca o tema em agenda. “A hora que tiver motivo, gatilho, um volume significativo também, será bem tranquilo.”

A montadora alemã, no entanto, pretende seguir os mercados que, na visão de Krieger, vão ter ritmos e caminhos diferentes em relação ao modelo de propulsão. Alguns vão acelerar mais para o elétrico enquanto outros irão mais para os híbridos. E outros mais (ainda) para o motor a combustão. A montadora continuará a investir em todas as tecnologias. “Não podemos colocar todos os ovos na mesma cesta. Estamos preparados para a eletrificação. Mas ainda temos os motores a combustão no nosso pipeline para o futuro”, disse ele, ao citar ainda o hidrogênio – no ano passado, a bandeira lançou a X5 com célula de combustível a hidrogênio. “É outra frente que a gente tem aberto. A nossa estratégia é bastante flexível.”