“A demanda se acentuou devido à busca de alternativas de diversificação pelos investidores” Safiri Felix diretor de Produtos e Parcerias da Transfero (Crédito:GABI CARRERA)

Os criptoativos conquistaram o investidor brasileiro. Segundo o Banco Central (BC), em 2021 foram investidos US$ 6 bilhões nesses ativos, uma alta de 81,8% em relação aos US$ 3,3 bilhões de 2020. Isso vem chamando a atenção do governo.

O interesse vai além dos tradicionais bitcoin e ethereum, chegando a altcoins, stablecoins e os non-fungible tokens (NFTs). As principais causas de tanto interesse são o aumento dos juros, da inflação e a depreciação do real frente ao dólar. “A demanda se acentuou devido à busca de alternativas de diversificação pelos investidores”, disse o diretor de Produtos e Parcerias da Transfero, Safiri Felix.

Segundo ele, o crescimento da demanda não está restrito ao Brasil, mas é um fenômeno global, turbinado pela digitalização da economia pós-pandemia. Para o executivo, mesmo com a volatilidade desses ativos, é possível maximizar os ganhos por meio da diversificação do portfólio. “O bitcoin, assim como os outros ativos, complementa bem uma cesta de investimento”, disse.

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A perspectiva é que a consolidação dos novos ativos continue nos próximos anos, diante da mudança de política de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. “Ainda é cedo para saber. Mas, de maneira geral, as perspectivas são positivas em cenário de menor liquidez”, disse Felix. Sua empresa, a Transfero, é um bom exemplo.

Uma companhia internacional de soluções financeiras baseadas em tecnologia blockchain com sede no Crypto Vale, na Suíça, ela mantém um criptoativo atrelado ao real (stablecoin) chamado BRZ. Criado em 2019, o BRZ movimentou R$ 5,7 bilhões só em 2021. “Somos o equivalente a um banco de investimentos voltado para criptoativos e estamos abrindo novas linhas de negócios diante do interesse dos brasileiros”, disse.

LEGISLAÇÃO O interesse foi tanto que até Brasília percebeu. Já está sendo discutida no Congresso Nacional uma nova forma de regulação desses ativos. O que deve ser concluído até o final do primeiro semestre, segundo o especialista da JL Rodrigues & Consultores Associados, José Luiz Rodrigues. “É importante que os reguladores se atentem para as oportunidades surgidas com toda essa nova tecnologia do mercado cripto, que moderniza ativos tradicionais por meio de tokenização. Mas isso deve ser feito com segurança, redução de custos e maior rapidez a processos financeiros.”

Segundo Rodrigues, hoje já existem regras, como a Instrução Normativa da Receita Federal nº 1.888, de 2019, que institui e disciplina a obrigatoriedade de prestação de informações relativas às operações realizadas com criptoativos à Receita Federal.

Ele diz que o Brasil tem um dos sistemas financeiros mais seguros e regulados do mundo, e os órgãos reguladores acompanham de perto a evolução de novos produtos ou modelos antes de evoluir para a regulamentação. “O que acontece depois de muito estudo e discussões. É justamente isso que o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm fazendo para dar maior segurança.”

Os especialistas advertem, porém, que essa popularização não chegou sem alguns pontos negativos. As oportunidades aparentemente inesgotáveis com o universo crescente das criptomoedas não atraíram apenas investidores. Também chamaram a atenção de golpistas e fraudadores, além de outros mal-intencionados.

Muitos espertalhões viram nesse mercado a oportunidade de ganhar dinheiro de maneira fácil. Por isso, Felix alerta para que o investidor entenda mais como funciona esse mercado e busque por participantes confiáveis para não cair em armadilhas.

As principais recomendações são usar apenas exchanges que tenham pelo menos um endereço fiscal no Brasil, ou seja, um número de CNPJ. Pesquise a reputação da empresa nos serviços de defesa do consumidor disponíveis pela internet. Se for pagar com cartão de crédito, emita um cartão virtual válido para uma transação apenas.

E, finalmente, invista pouco. Os especialistas recomendam que, para quem não é profissional nem um trader experiente, o limite máximo a ser investido é de 1% do patrimônio.